segunda-feira, fevereiro 19, 2018

Serra da Gardunha - Um território de passagem

Nota - Este artigo serviu de base à crónica recentemente publicada no Jornal do Fundão. Apresenta-se aqui numa versão mais extensa e próxima da sua versão original.




A Serra da Gardunha contém muito mais que apenas a paisagem natural. Possui muitos outros rostos, outras materialidades que estão na base da nossa identidade cultural. Apesar de hoje a escala humana escapar à nossa percepção, a Gardunha sempre foi ao longo da História um território de intensa vivência e também de comunicação entre as comunidades das suas vertentes. Esta sua dimensão cultural humana entra nos domínios da história e da etnografia, aspectos que se refletem num rico manancial de património material e imaterial que hoje podemos encontrar ao seu redor. 

A existência de diferentes comunidades no perímetro da Gardunha, com a consequente necessidade de comunicação entre elas, e o próprio carácter de fronteira da Serra, sendo um lugar de passagem por exemplo dos caminhos da transumância, pressupunha a existência de uma rede de vias de trânsito que permitia atravessar a serra ou simplesmente servir de via de comunicação entre comunidades da própria serra. 

Se dos caminhos secundários hoje pouco resta a não ser a memória imprecisa da sua existência, quanto às vias principais o cenário é substancialmente diferente. Quem não conhece hoje a estrada romana que liga Alcongosta a Alpedrinha, com o seu sinuoso lajeado, ou a continuação desta de Alpedrinha para Castelo Novo? Trata-se de uma via notável que merece claramente ser preservada e valorizada, embora suceda precisamente o contrário já que sobre ela continuam a passar veículos motorizados, com consequências bem visíveis no seu estado de conservação e, não bastando isso, ainda no ano passado no segmento Alpedrinha-Castelo Novo foi realizada uma intervenção para benefício privado que a danificou seriamente.

Para além de outros troços de calçada antiga existentes ao redor de São Vicente da Beira e do Alcaide, outra via dita romana que é bem conhecida é a calçada que liga o santuário da Senhora da Orada, em São Vicente da Beira, até à portela denominada como “Cruz”, no limite entre esta freguesia e a do Souto da Casa. Também esta via foi alvo há alguns anos de uma intervenção de preservação muito sui generis que a escondeu dos olhares e hoje, em consequência do esquecimento a que foi votada, está já seriamente danificada em alguns locais. Esta calçada ainda assim era apenas uma parte de uma via que ligava São Vicente da Beira ao Souto da Casa, e que entre esta última localidade e a aldeia de Casal de Álvaro Pires evidencia ainda alguns segmentos de pavimento em zonas de maior inclinação, uma prática normal que se destinava a garantir que os veículos puxados por animais aí conseguissem ter tracção.

Para além da sua função de ligação entre comunidades no domínio mais terreno, algumas destas vias tinha também uma função de ligação ao sagrado, tornando-se caminhos de romaria ou peregrinação mais ou menos sazonais. Neste contexto em particular, a cartografia da antiga rede viária da Gardunha teve no ano passado uma importante contribuição por parte dos Caminheiros da Gardunha que, em conjunto com o Museu do Fundão e contando ainda com a preciosa colaboração de Mário Castro no que à interpretação e ao levantamento cartográfico diz respeito, identificaram no terreno e na quase totalidade da sua extensão, a via que ligava Castelo Novo ao antigo santuário de Nossa Senhora da Serra na Penha da Gardunha. O resultado deste trabalho foi dado a conhecer nas I Jornadas de Arqueologia e Património da Serra da Gardunha realizadas em Abril de 2017 no Fundão.


Vista SO do fraguedo da Penha, já no topo da escadaria

A fundação do santuário de Nossa Senhora da Penha, justificada por um milagre, remontará provavelmente a tempos medievais, acabando mais tarde por ser desmantelado por ordem bispal, possivelmente algures no início do século XVIII, na sequência de uma existência algo turbulenta. Durante este período, foi um importante local de romagem das comunidades ao redor da Gardunha, que para aí convergiam logo a seguir à Páscoa, embora em dias diferentes para evitar refregas decorrentes de rivalidades, como nos conta José Inácio Cardoso na sua Orologia da Gardunha. Esta tradição sobrevive actualmente em Castelo Novo, com a festa em honra de Nossa Senhora da Serra na Segunda-feira de Pascoela. Voltando à romaria anual à Penha pela vertente de Castelo Novo, para além de algumas descrições historiográficas, havia muitas dúvidas sobre qual o caminho que os romeiros seguiam para aí chegarem, dúvidas essas que agora parecem estar dissipadas com a identificação da via.



A escadaria da Penha

Esta, cuja passagem pelo sítio do Sameiro já tinha sido referenciada pelo Museu embora sem precisar a sua real extensão, parece ter servido também para transporte de carga entre a aldeia histórica e o casario mais ou menos disperso que existia no local conhecido como Barrocas do Mercado, como o demonstram as marcas de rodados que ficaram bem vincadas em algumas lajes pelo seu uso continuado. Desta derivava, a dada altura, um caminho que ascendia à Penha, num ziguezague de degraus e plataformas sucessivos ao longo de 350m, com alguns segmentos eventualmente pouco recomendáveis a quem sofre de vertigens. Dos acessos de quem vinha do Souto da Casa e Alcongosta conhecem-se hoje apenas alguns vestígios e há ainda muitas interrogações no ar.

Ora, acontece que a nefasta passagem do fogo pela Gardunha, não deixando de ser uma tragédia, deixou à vista muitos elementos de património que até agora estavam escondidos, inclusive alguns troços viários antigos que nos ajudam a ter uma ideia mais abrangente da rede de caminhos que percorriam a serra. Várias publicações na rede social da moda, o Facebook, deram conta do surgimento destes troços de calçada entre Louriçal do Campo e Alpedrinha, passando por Castelo Novo. Estamos, sem dúvida, perante uma oportunidade de ouro para proceder à identificação e inventariação desta rede de caminhos antigos. As vantagens que poderiam advir desta intervenção são por demais evidentes.


Troço da calçada Alcongosta-Alpedrinha que estava escondido e que o incêndio deixou à vista


Numa lógica de criação de valor turístico da Serra da Gardunha e com base nos inúmeros elementos patrimoniais atrás referidos, é hoje perfeitamente possível - e faz todo o sentido- criar itinerários pedestres permanentes com um fundo cultural, com uma temática que abranja tanto o património material como o imaterial, e cujo interesse consiga ir muito para além da paisagem natural. A rede viária antiga tem aqui também um papel importante na medida em que traria valor acrescentado a estes percursos. Para além deste factor de valor acrescentado, a sua integração na rede de percursos pedestres acabaria por ser também um importante factor de preservação, na medida em que contribuiria para os manter transitáveis.

Um bom exemplo de uma iniciativa nesse sentido é projecto “Gardunha Sacra”, um projecto que começou há 4 anos resultante de uma parceria entre o Município do Fundão, os Caminheiros da Gardunha e o GEGA, contando também circunstancialmente com o contributo de várias colectividades e instituições do perímetro da Gardunha, e que procurou definir um percurso ao redor da serra ligando os lugares sagrados de certa forma esquecidos através da rede de caminhos antigos. Esta iniciativa termina a sua primeira fase no próximo mês de Março, numa caminhada que vai ligar Alcongosta ao Fundão, avançando depois para o patamar seguinte em que se vai trabalhar no sentido de tornar o percurso permanente, associando-lhe não só publicações de suporte e divulgação como ainda meios para tornar possível que todo o percurso possa ser feito de forma autónoma sem perder o seu cunho pedagógico.

Adicionalmente, agora que a real extensão desta rede viária começa aos poucos a ser conhecida, muitos dos actuais percursos pedestres homologados poderiam e deveriam ser desviados quando possível para as vias antigas, retirando-as dos “estradões” contemporâneos nas quais foram sinalizadas. Enquadram-se perfeitamente neste contexto por exemplo a Rota da Penha, a Rota de Alpreade e até o troço do Caminho de Santiago que, apesar de ser considerado um caminho cultural histórico, atravessa a Gardunha por intermédio de um moderno, exigente e descontextualizado estradão. Seria sem dúvida mais interessante se o fizesse por calçadas antigas, seguindo certamente desta forma mais fielmente os passos dos antigos peregrinos.

Valorizar os elementos patrimoniais materiais existentes ao longo do percurso seria também uma possibilidade, destacando-os e disponibilizando informação sobre eles. Tomando como exemplo a via romana entre Alcongosta e Alpedrinha, com pouco esforço se poderia dar destaque às interessantes lagaretas escavadas na rocha existentes junto à portela ou colocar em evidência as marcas de trabalho existentes nas rochas ao longo da via, marcas essas que nos dão pistas sobre onde e como foram obtidas as lajes com que foram feitos a calçada e respectivos muros de suporte.



Marcas de trabalho de extracção de pedra certamente para abertura de passagem e pavimentação da via.




Uma das lagaretas situadas junto à via Alcongosta-Alpedrinha


As soluções para pôr tudo isto em prática existem e não é preciso inventar nada. Basta saber seguir os bons exemplos. Depois, é só uma questão de sabermos capitalizar aquilo que é o factor crucial de diferenciação, que é a conjugação do nosso património natural com o património cultural material e imaterial. A receita é bem simples: basta saber valorizar o que é nosso e que define, ao fim e ao cabo, a nossa identidade enquanto filhos da Serra da Gardunha.


quinta-feira, fevereiro 15, 2018

Peculiaridades arquitectónicas de Liège

Num artigo anterior, referi que Liège tinha sido devastada várias vezes ao longo da sua História, a última delas durante a 2ª Guerra Mundial. Num dos próximos artigos irei falar sobre isso mas, para já, o que interessa é que com este passado atribulado, sobra hoje pouco das construções medievais da cidade.

No último fim-de-semana decidi ir esticar as pernas pelas ruas de Liège, à descoberta dos seus contrastes e particularidades. Comecei na Praça da Ópera e passei sucessivamente pela ilha de Outremeuse, bairro de Guillemins e regressei pelo centro histórico da cidade numa volta simpática de cerca de 9km.

Aquilo que foi perfeitamente perceptível é que a maioria das construções datam do século XVIII em diante, embora seja possível encontrar alguns exemplares mais antigos. Mas estas construções evidenciam bem o fulgor económico da cidade, a "Cidade Ardente" como é chamada, e o grande crescimento da mesma ao longo dos últimos 200 anos.

No entanto, entre inúmeros pormenores houve um que me chamou a atenção e que se encontra em praticamente todas construções do século XIX e início do século XX ou, pelo menos, nas menos modestas. Praticamente todas as construções deste período têm em comum as mesmas características e que se podem ver nas fotografias seguintes: uma abertura ao nível do solo, um respiradouro na escadaria de acesso à porta ou perto dela e um elemento que ao início me intrigou e que em geral consiste numa cavidade com um elemento metálico proeminente.





A abertura ao nível do solo servia para despejar carvão para aquecimento das casas, ou não se gabasse Liège de ser sede da região onde se descobriu pela primeira vez a hulha, ou carvão betuminoso, que possibilitou a Revolução Industrial. Os respiradouros estão associados à mesma cave para a qual o carvão era despejado e queimado e estarão certamente nesse local para permitir a entrada de oxigénio no compartimento.




Por último, o terceiro elemento remete para uma época em que as ruas estavam cheias de lama, inúmeras obras e testemunhavam um intenso tráfego de carros de tracção animal: trata-se dos "décrotteurs", literalmente os "tira-bostas".






Estes elementos encontravam-se não só à entrada das residências mas também dos edifícios públicos e permitiam a quem trouxesse as botas sujas com lama ou com o resultado do escape dos carros de tracção animal que ia ficando no chão. Claro que os mais ricos também podia simplesmente recorrer a um "décrotteur" como eram chamados os engraxadores, que não só engraxavam as botas como também removiam o que estava a mais nas solas.

Hoje em dia passam quase despercebidos sendo que a grande maioria já perdeu o seu elemento metálico e, pelo que pude perceber, muita gente desconhecce hoje o seu propósito original. No entanto são elementos arquitectónicos bastante interessantes que existem numa grande variedade de formas, mais ou menos normalizadas e que ainda hoje são capazes de dar bom jeito aos transeuntes que não costumam olhar para o chão que pisam.


















quarta-feira, fevereiro 14, 2018

Não, a lei que permite a entrada de animais em restaurantes não é o 1º sinal do fim do Mundo.

Imagem tirada daqui

"Após o ribombar das trombetas celestes, o chão irá fender-se derramando sobre a terra legiões de animais famintos e sarnosos que irão invadir os restaurantes, condenando à fome e à intromissão de pêlos, em partes insuspeitas e recônditas do corpo, todos os seres humanos aí presentes.

É desta forma que é encarada nas redes sociais, esse lugar de indignações instantâneas e seguidistas, quiçá com algum exagero da minha parte, a perspectiva da entrada em vigor da lei que irá permitir a entrada de animais de companhia em estabelecimentos de restauração

A receita é sempre a mesma: a aquisição de informação fica-se pela leitura do título de uma notícia, na maior parte das vezes já inquinada por uma certa dose sensacionalismo e falta de rigor, com vista a obter "cliques", e de pronto se faz a sua partilha, juntando-lhe uma série de palavras "robustas", plenas de indignação.

Nas redes sociais, parece que as pessoas perderam a capacidade de ter um certo nível de pensamento crítico e, pior ainda, parecem ter perdido a capacidade para debater assuntos com alguma urbanidade. Basta uma opinião contrária à de alguém para este último desfilar um rol de adjetivos pouco abonatórios dirigidos a quem ousou discordar. Os exemplos são mais que muitos e poderão ter a ver com a sensação de impunidade e protecção que é dada por estarem escondidos por um ecrã.

Depois, no que diz respeito às leis, há sempre um argumento de contraditório que teima em vir à superfície: “Tanta coisa tão importante para legislar e perdem tempo com estas coisas!”. Um bom exemplo disto é a onda indignação geral, com um certo teor de islamofobia, é certo, que se gerou perante inúmeras iniciativas de ajuda a refugiados, que fugiam à guerra na Síria. O argumento principal era que “em vez de se ajudarem os sem-abrigo, estamos a trazer estas pessoas para viverem às nossas custas!”. Então muito preocupadas com os sem-abrigo, seria interessante averiguar quantas destas pessoas se mexeram desde então para os ajudar ou até, sendo picuinhas, quantas delas desviam o olhar quando passam por eles na rua para evitar dar umas moeditas.

Também parece generalizada a ideia de que a Assembleia da República dedicou dias inteiros das suas sessões à aprovação desta lei o que não pode estar mais longe da verdade. Basta ir consultar a documentação disponível no site da Assembleia da República para perceber isso, em vez de nos ficarmos com os pacotes sintéticos de indignação instantânea do Facebook.

Caros concidadãos, se acham que há coisas mais importantes MEXAM-SE! Criem petições, aborreçam os deputados que elegeram para a Assembleia da República. Não fiquem sentadinhos à espera que as mudanças caiam do céu. A cidadania, não se esqueçam, não se esgota nas mesas de voto. É, pelo contrário, um exercício que deve praticado ao longo de um período de 4 anos. Mas adiante.


O que diz afinal a lei que foi aprovada?

Voltando ao tema de abertura, o que diz afinal a lei que foi aprovada na sequência de uma proposta do PAN? 

Não, também não é isto que vai acontecer:



e não, também não vai ser o apocalipse da invasão animal com a chegada dos 4 binómios cinotécnicos do apocalipse como está a ser pintado. 



Em termos gerais, deixa de proibir taxativamente a entrada de animais de companhia em espaços de restauração, excepção feita a cães-guia como até agora acontecia, conferindo aos proprietários a prerrogativa da escolha de permitirem ou não essa entrada.

Ainda assim:

- Essa permissão ou não será dada a conhecer mediante a afixação de um dístico na entrada dos estabelecimentos (como acontecia com a permissão ou não de fumadores). Na ausência do dístico assume-se que a entrada é permitida;

- Os proprietários podem definir um limite de animais dentro do estabelecimento;

- Os animais terão de estar presos com trela curta, não podendo circular livremente

- O proprietário pode definir uma área específica para a permanência de animais em vez de permitir a sua presença em todo o espaço


Percebido? Espalhem a palavra!

Ah! Já agora, senhores donos de animais, porque há regras de civismo que são de observância obrigatória, não tentem aproveitar-se desta lei alegando que agora ninguém pode proibir a entrada de animais. Também será conveniente que os cães estejam treinados para não terem comportamentos que incomodem as restantes pessoas e animais. As regras de civismo aplicam-se a todos embora em Portugal muitas vezes tenha tristemente de ser imposto por lei.


quarta-feira, fevereiro 07, 2018

3 semanas e várias ameaças depois, eis a neve!

Depois de ter assistido a várias ameaças, a última das quais no passado Domingo (recordar aqui), desta vez nevou a sério sobre Liège e com reforçada intensidade na área onde trabalho, que fica a pouco menos de 300m de altitude mas, ainda assim, claramente acima da cota da cidade, que se fica por uns modestos 60m.

O habitual trajecto entre a empresa e a paragem onde apanho o autocarro para regressar a Liège fez-se desta vez num cenário radicalmente diferente. Se a zona já é bonita, pelos bosques de bétulas, faias e pinheiros silvestres que rodeia as estradas e as vivendas dispersas, agora com o branco da neve ficou-o ainda mais.

A neve não interrompeu o trânsito mas condicionou-o fortemente, o que tornou a normal meia-hora de viagem numa hora. Partilho aqui alguns dos "bonecos" de ontem registados entre a zona alta do Sart Tilman e o centro de Liège.

Olhando para trás, a EVS estava com este aspecto



A estrada do Parque Científico



Pormenor de um dos bosques



A recta entre o Parque Científico e a Igreja de Sart Tilman



Um caminho que desemboca na estrada



Uma das muitas vivendas que ladeiam o acesso ao Parque Científico



Pormenor de um dos vários jardins



A Igreja do Sart Tilman, um dos cenários de uma encarniçada batalha em 1914.



A Ópera Real da Valónia com a estátua de Grétry, um grande compositor nascido em Liège no século XVIII



Olhando na direcção da Catedral de Liège

terça-feira, fevereiro 06, 2018

O maior e mais antigo mercado da Bélgica

Vista parcial d'O Marché de la Batte

Se queremos conhecer o carácter e a identidade de um local, é indispensável visitar os mercados locais e, no caso de Liège, essa máxima aplica-se - e de que maneira!-. 

Todos os Domingos, entre as 8h00 e as 14h30 na margem esquerda do rio Mosa, realiza-se o "Marché de La Batte", o grande mercado da cidade. Este mercado é o maior e mais antigo de todo o território belga e um dos mais importantes da Europa, tendo começado a ser realizado em 1561.

Estende-se ao longo de cerca de um quilómetro mas articulado em duas vias paralelas, ou seja, se quisermos percorrer todas as barraquinhas, num total de cerca de 350 vendedores fixos e cerca de meia-centena mais de vendedores ocasionais, será necessário caminhar um total de 2km! Estima-se também que seja visitado anualmente por quase 5 milhões de pessoas.

As duas vias paralelas que formam o mercado



Banca de especiarias. Há de tudo um pouco e inclusive oferecem um cartão-cliente que permite usufruir de ofertas e descontos após um determinado volume de compras.



O mercado diante do grande museu Curtius, um dos museus mais emblemáticos da cidade. A oferta museal irá merecer um artigo dedicado.


O mercado sob a neve no último Domingo, aqui junto a uma das pontes sobre o Mosa


Neste mercado encontra-se de tudo um pouco e sem nenhum tipo de organização ou agrupamento em função do tipo de produto, desde alimentos a vestuário, passando por produtos de higiene e beleza, electrónica, livros, produtos de cozinha, aves (de canários a galinhas), roulottes de alimentação asiática ou fast-food, entre outros, por vezes numa apresentação que, não deixando de ter excelente aspecto, provocaria arrepios a alguns membros mais púdicos da nossa ASAE. Também é curioso ver o nível de requinte de alguns pontos de venda, nomeadamente de queijo, carne ou peixe, que têm um sistema de senhas para atendimento por ordem de chegada.

Apesar de pela cidade existirem muitas lojas de venda de legumes e fruta, vir a este mercado já faz parte da minha rotina, dado que por pouco mais de 10€ consigo mantimentos suficientes para uma semana. O percurso começa sempre com uma paragem na mini-banca que vende o melhor e mais barato café de Liège, apenas 0,90€, e termina, já com as compras feitas, com uma passagem por uma das barraquinhas de alimentação para comer algo à vista do Mosa e das suas pontes. Só é preciso ter cuidado com alguma pomba ou gaivota mais atrevida.

A melhor banca de todas! Café expresso a 0,90€!



Uma das muitas bancas de frutas e legumes



Outra banca de frutas e legumes que permite levar 3 sacos à escolha por apenas 5€. O senhor do gorro mostrou toda a sua capacidade de cativar o público ao pôr as crianças todas a entoar o seu pregão.


Facto digno de registo: quando o mercado chega ao fim e os feirantes partem, pouco ou nenhum lixo fica espalhado, bem pelo contrário. Fica tudo devidamente acondicionado em sacos que depois são recolhidos pelos serviços de limpeza. Um bom exemplo a ser seguido.


Flores de mimosa a bom preço!

Para mim foi a banca que mais me chamou a atenção, por aquilo que a planta representa em Portugal. Nela, uma senhora equipada a condizer, vendia ramos de flores de mimosa e produtos de higiene e beleza com extracto de mimosa. Não resisti à curiosidade e perguntei quanto custavam os ramos de flores: grandes a 5€ e pequenos a 3€. Para quem quiser cultivar a planta, também estavam à venda em pequenos vasos.



segunda-feira, fevereiro 05, 2018

Primeiras impressões de Liège

Praça de São Lamberto, o local onde nasceu a cidade de Liège e que hoje é dominado pelo palácio dos príncipes-bispos. No canto inferior direito é possível ver o memorial das vítimas do atentado de 13 de Dezembro de 2011 durante o mercado de Natal.


A primeira semana em Liège foi algo estranha já que durante esse tempo nunca consegui ver a cidade durante o dia. O facto de trabalhar a mais de 7km do centro de Liège e de começar às 8h30, obrigava-me a apanhar um autocarro por volta das 7h40, antes do nascer do Sol, regressando já depois do pôr-do-Sol. Entretanto, 4 semanas depois, a luz do dia já dura mais uma hora do que há 3 semanas atrás, e a diferença começa a fazer-se sentir de forma notória.

Foi preciso, na sequência do que disse atrás, esperar pelo fim-de-semana seguinte para poder explorar a cidade à luz do dia e aprender algo sobre ela. A primeira constatação desse fim-de-semana foi que o café é em geral vendido a um preço bem puxadinho. Felizmente, andando pelas ruas deu para perceber que nem tudo é mau na cidade e as pessoas até gostam de comunicar. As primeiras frases que me foram dirigidas pelos transeuntes foram, por esta ordem, "Desculpe, tem uns trocos que me possa dispensar?", "Não tens por aí uma mortalha a mais?" e "Desculpe incomodar mas percebe alguma coisa de rum? Tenho de comprar uma garrafa mas não sei qual será o melhor."



Organização da cidade

Apesar da sua história milenar, não sobra muita coisa dos primeiros tempos da cidade e, no centro histórico, quase todos os edifícios são posteriores ao século XVI. Isto é fruto de uma história tumultuosa ao longo da qual a cidade foi destruída várias vezes, a última das quais durante a II Guerra Mundial. Sobre isto falarei em próximos artigos.

Sendo banhada pelo rio Mosa (Meuse em francês e Maas em holandês) a cidade deve muito daquilo que é hoje ao rio. A própria organização urbana da cidade foi definida pelo Mosa. Se recuarmos até aos primórdios da Idade Média, a zona à volta do núcleo onde se desenvolveu a cidade ainda era uma área pantanosa onde se espraiavam vários braços do rio. Muitas das ruas da actual Liège seguem escrupulosamente o curso de alguns desses braços que, ao longo dos séculos, foram sendo aterrados e transformados em vias de circulação terrestre.

Comparação entre um mapa da área de Liège no final da presença romana exposto no museu Curtius e o mapa actual de Liège via Google Maps

À volta do centro histórico de Liège, desenvolvem-se bairros com diferentes identidades. Os mais característicos serão provavelmente o bairro Hors-Chateau (literalmente, "fora do castelo"), com os seus típicos e bem bonitos becos sem saída, e o bairro de Outremeuse (literalmente "Ultra Mosa", "Além do Mosa") situado na grande ilha no meio do rio e que se intitula a si próprio como República Livre de Outremeuse.

Vista do bairro de Outremeuse, a partir do centro histórico de Liège


Falando novamente do centro de Liège, ao andar pelas ruas, fica-se com a nítida sensação que a cidade está em processo de renovação. Muitas casas devolutas do centro estão a ser recuperadas e vários espaços estão a ser devolvidos à fruição dos cidadãos. Parece que há uma nova cidade a tomar lentamente o lugar antes ocupado por outra menos interessante. Infelizmente, durante a noite é complicado perceber os detalhes arquitectónicos por força da falta de iluminação ou da sua pouca eficácia no que diz respeito ao evidenciar de edifícios mais importantes. 

Não me pareceu apesar de tudo uma cidade insegura, pelo menos nas zonas em que já caminhei. Houve até uma altura em que fiquei bem impressionado quando, ao entrar em áreas de ruas mais estreitas a deambulações tantas, as senhoras que ali estavam àquela hora da noite me dirigiam todas um cordial "Boa noite" pontuado com um sorriso.

Em termos de limpeza, encontra-se pouco ou nenhum lixo pelas ruas. As pessoas parecem respeitar escrupulosamente essa regra básica de civismo e, a ajudar, encontram-se papeleiras e contentores, estes uns cones muito engraçados com as cores da cidade, um pouco por todo o lado. As ruas ficam sim cheias de lixo no dia da recolha semanal de lixo doméstico. Então as pessoas deixam os seus sacos à porta, amarelos para lixo indistinto e azuis para garrafas de plástico, embalagens tipo PET e embalagens metálicas. Cada zona tem o seu próprio dia para recolha e os sacos, com o símbolo da cidade vendem-se em qualquer supermercado, sendo que para os cidadãos residentes em Liège são gratuitos.



Falando das lojas, os horários também se estranham ao início. No que diz respeito ao comércio dito "tradicional", a abertura é em geral entre as 8h00 e as 8h30 da manhã e o fecho entre as 18h00 e as 18h30. Só os supermercados do tipo "Carrefour Express" se mantêm abertos até às 20h00, e destes há às dezenas. Para lá disso, é sempre possível recorrer às lojas de conveniência geridas por asiáticos que, essas, fecham muito mais tarde. Ao Domingo, as lojas abrem embora num horário mais reduzido mas, nesse dia, vale mesmo a pena fazer compras no grande mercado junto ao rio mas sobre ele publicarei um artigo em breve. Bem o merece.

sexta-feira, fevereiro 02, 2018

Chegada a Liège

De repente, eis-me em Liège! Trata-se de uma mudança de vida radical, na sequência de uma proposta de emprego tremendamente aliciante, tanto pelo desafio técnico que representa, como pela remuneração oferecida (que também é um aspecto mais ou menos importante). Certo é que não é todos os dias que se tem a hipótese de trabalhar para um gigante que, por exemplo, está na base das transmissões televisivas dos maiores eventos desportivos a nível mundial, desde Liga dos Campeões aos Jogos Olímpicos.






Não deixou, no entanto, de ser difícil deixar para trás a família e os amigos. Felizmente, a possibilidade de viajar com frequência a Portugal permite mitigar as saudades e também dessa forma, aliado ao facto de estes contarem com uma equipa muito sólida que torna quase insignificante a distância a que me encontro, continuar a dirigir os Caminheiros da Gardunha e participar nas suas actividades.


 Liège, Valónia e o Reino da Bélgica 




A minha primeira imagem de Liège: a estação ferroviária Liège-Guillemins, um projecto da autoria de Santiago Calatrava, arquitecto que projectou também a "nossa" Gare do Oriente


Liège é a capital económica não oficial da Valónia, uma das 3 regiões belgas federadas que compõem a Bélgica, quero dizer, o Reino da Bélgica. As outras duas são a Flandres ou região Flamenga e, mais ou menos encravada entre as anteriores, a região de Bruxelas. De forma simplista podemos dizer que a Bélgica se divide entre os que falam holandês a Norte, os que falam francês a Sul e os tipos que são de Bruxelas, mas em rigor não é bem assim. Se na Valónia predomina o francês, também o alemão é língua oficial, como reflexo da presença da comunidade germanófona da faixa oriental da região.

A Bélgica tem algumas particularidades na sua organização, e não me refiro ao facto notável e já comprovado de conseguirem sobreviver e funcionar sem Governo, como aconteceu durante 541 dias entre 2010 e 2011, batendo o seu próprio recorde anterior de 194 dias, apenas 3 anos antes, facto pelo qual já tive ocasião de felicitar alguns belgas. Não. Refiro-me à organização administrativa plasmada na Constituição que, para além das 3 regiões, define também a existência de 3 comunidades no conjunto do território: a francesa, a flamenga e a germanófona, comunidades essas com fronteiras que não coincidem com as das regiões.

Voltando à Valónia, Liège é a segunda maior cidade da região, apenas um pouco atrás de Namur, que é a capital e tem pouco mais de 200.000 habitantes. É interessante ver que apesar de a Valónia ter uma área superior à da Flandres, esta última bate de longe os vizinhos do Sul em termos de habitantes: quase o dobro! Estamos a falar de mais de 6 milhões de pessoas a falar holandês e estes números não são como os dos 6 milhões de benfiquistas em Portugal. São mesmo a sério.  

Liège é uma cidade muito peculiar em termos históricos, arquitectónicos, nos costumes e na própria organização da cidade. Tudo isto é o resultado de Liège e a sua província, estarem entalados em pleno caminho entre Paris e Berlim, o que historicamente não foi sempre necessariamente bom, e de Liège ter sido a capital de um principado independente durante mais de 800 anos.

Será sobre estes temas, e com base na minha experiência diária na cidade, que irei desenvolver os próximos artigos.


Uma rua do centro histórico da cidade

quinta-feira, janeiro 18, 2018

Postal gastronómico de Liège

O ano de 2018 começou com uma drástica alteração de vida por razões profissionais mas sobre isso haverá tempo para falar mais a frente. Para já, a titulo de introdução, partilhamos aqui um postal fresquinho que dá uma boa ideia da diversidade e das peculiaridades da gastronomia da cidade belga de Liège.




quinta-feira, março 09, 2017

A peregrinação das andorinhas

As andorinhas das rochas estão de regresso à Serra da Gardunha mas, à chegada, fizeram questão de parar junto à Igreja Matriz de Castelo Novo, talvez para saudar a imagem da Senhora da Penha, antes de subirem aos domínios desta. 




segunda-feira, março 06, 2017

Argemela de novo em risco - Recordando uma reportagem de 2003

O monte da Argemela está novamente na ordem do dia pelos piores motivos, a perspectiva da destruição das suas encostas por uma exploração mineira a céu aberto que terá um impacto irremediável na paisagem e recursos hídricos. Na Internet foi já aberta uma petição dirigida aos Ministros do Ambiente e da Economia para travar este processo. Poderão encontrá-la (e assiná-la, já agora) neste link: http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT84767

Já no início deste século o local fora danificado durante os trabalhos de abertura de um caminho, que rasgou parte do sistema de muralhas do castro que ali existe e que, mais tarde, foi novamente danificado pela exploração mineira da Unizel, que ali se instalou para explorar feldspato, abrindo um rombo na encosta.

Foi precisamente na véspera do início desta exploração de feldspato que me desloquei até ao monte da Argemela para visitar as escavações arqueológicas de emergência que ali decorriam, na tentativa de delimitar o sítio arqueológico. O resultado foi a reportagem que se segue e que na altura foi publicada no portal ArqueoBeira:


ArqueoBeira - 11 de Julho de 2003
Castro da Argemela (Fundão/Covilhã)


Terminaram as escavações de emergência


Alexandre Valinho e Miguel Serra em pleno trabalho - ArqueoBeira 2003

Terminaram no passado domingo dia 6 de Julho os trabalhos de prospecção de emergência no Castro da Argemela. Estes trabalhos, inseridos no projecto dirigido pela Drª Raquel Vilaça sobre o estudo da ocupação pré-romana na Beira Interior, duraram cerca de uma semana e foram executados pela empresa de arqueologia Palimpsesto - Preservação e Estudo do Património Cultural Lda. Esta intervenção deveu-se à necessidade urgente de delimitar este importante sítio arqueológico, para evitar que a exploração mineira prevista para este monte, o pudesse vir a destruir.

Na zona, está prevista para breve uma exploração mineira a cargo da empresa Unizel. Aparentemente, sob o monte da Argemela, existe um extenso filão de feldspato, mineral que esta empresa explora também na Turquia.

Em conversa com os Drs Alexandre Valinho, Miguel Serra e Eduardo Porfírio, que dirigiu os trabalhos no local, procurámos conhecer um pouco mais a natureza dos trabalhos e aquilo que reveleram.

Vala de sondagem que colocou a descoberto parte da 2ª muralha do castro - ArqueoBeira 2003

Os trabalhos, efectuados no perímetro da "acrópole", consistiram na abertura de 5 valas de sondagem, 4 com 4mx2m e uma, esta adjacente à 1ª linha de muralha, com 8mx2m.

"Os nossos trabalhos visam essencialmente estabelecer uma linha de protecção para o castro, procurando evitar ao máximo que os trabalhos de mineração previstos para a zona, tenham impacto sobre este sítio que já foi muito maltratado" - Afirma Miguel Serra, continuando: "Na parte da muralha que pusemos a descoberto, podemos ver que esta consiste apenas em pedra sobreposta, pelo que trabalhos envolvendo maquinaria pesada ou explosivos poderiam provocar um desmoronamento. Repare que aqui (apontando para uma parte exposta) ela até já apresenta sinais de desmoronamento."


Eduardo Porfírio, director da escavação - ArqueoBeira 2003

Estas sondagens que poderiam eventualmente revelar a existência de estruturas ou vestígios nada produziram: "Essencialmente, procurámos saber se existiam estruturas fora desta linha de muralhas, o que não parece acontecer" - afirma Serra.

Sobre o castro, diz-nos Valinho que "Para além disso, seria necessário confirmar se a alegada 3ª cintura de muralha existe mesmo, ou se é apenas um talude de antigas explorações mineiras. Não deixa de ser atípico que com tanta marca de mineração, não existam informações mais concretas na memória colectiva das comunidades circundantes, acerca deste local.".

De acordo com Alexandre Valinho "Os vestígios encontrados resumem-se a alguns fragmentos de cerâmica, que apontam para uma ocupação durante o Bronze Final ou mesmo Calcolítico".

Sobre o estado de conservação do castro, as opiniões mostram cautela, procurando não alimentar demasiadas expectativas. Alexandre Valinho afirma ainda assim que "é bom ver que, pelo menos esta parte da muralha que não foi arrasada pelos bulldozers, se encontra num estado razoável." Sobre a existência de mais vestígios, afirma que "só futuros trabalhos poderão dissipar essas dúvidas." Uma cautela justificada, se tivermos em conta que o castro foi muito maltratado ao longo dos anos, com a abertura de vários caminhos por bulldozers que sistematicamente rasgaram as cinturas de muralha para a abertura de caminhos e por sondagens geotécnicas em diversas zonas do castro.


A origem

Só recentemente começou a vir a público alguma luz sobre a origem deste local que na tradição popular mistura lusitanos, romanos, visigodos e árabes em histórias de guerras, torturas e nobreza.

Os fragmentos de cerâmica encontrados e o aparelho da muralha sugerem uma ocupação que se terá situado em 3 épocas distintas, com início no Calcolítico, algures no 3º milénio a.C., não existindo no entanto provas que confirmem que essa ocupação tenha sido contínua.

Os escassos vestigios encontrados confirmam uma ocupação no Calcolítico e no Bronze Final, sendo que a muralha se pode situar pelo seu aparelho como pertencendo aos Sécs IX ou X a.C..

"A localização do castro, dominando toda a paisagem envolvente, poderá indiciar uma ocupação da Idade do Bronze, em que este tipo de localização era padrão. Na Idade do Ferro, havia uma maior preocupação em dominar principalmente o rio." - Diz Alexandre Valinho


Os atentados

O castro da Argemela foi durante muitos anos vítima da ignorância e desleixo das pessoas a quem de direito cabia zelar pela sua preservação.

Sob o solo, existem grandes riquezas minerais, facto que aliado à exploração das encostas circundantes por uma empresa de celulose, levou a que a pressão sobre o castro pusesse em risco a sua existência.

Por várias vezes, na imprensa regional, se puderam ler notícias de destruição das muralhas, à medida que sistematicamente estas iam sendo derrubadas por bulldozers que abriam caminhos.

Não sendo mencionado como sítio arqueológico no PDM quer do concelho do Fundão, quer no concelho da Covilhã, os trabalhos no local, não eram acompanhados por arqueólogos o que ajudava a que os vestígios por demais evidentes (acumulação de enormes quantidades de pedra solta e fragmentos de cerâmica) fossem simplesmente ignorados.


A classificação que tardou

O último acto de destruição no castro, no ano de 2002, fez finalmente despertar as consciências. Manuel Frexes, presidente recém eleito da Câmara Municipal do Fundão, deslocou-se de imediato ao local para averiguar in situ o resultado da destruição.

De imediato, foram accionados os necessários mecanismos que, pouco tempo depois, resultaram na classificação do Castro da Argemela como Imóvel de Interesse Municipal pela Câmara Municipal do Fundão.

Resta agora esperar que os futuros trabalhos neste local, possam trazer mais alguma luz sobre a história do castro, para que na nossa imaginação se voltem a erguer as muralhas que outrora dominaram o vale do Zêzere.
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